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Direitos socioambientais | 04 Ago 2021

Banzeiro - um encontro com o Curupira e a proteção da floresta

Moradores do Xingu recontam suas histórias de encontros com o Pai da Mata: uma entidade justa mas terrível, que ensina a importância de respeitar a natureza.
Era começo de noite, lá em meados dos anos 1980, quando agricultor Helio, um antigo morador do Xingu, decidiu entrar na floresta para caçar. Na época, Helio morava na Vila Santo Antônio — uma das primeiras povoações destruídas pela Norte Energia para a construção da usina de Belo Monte. Naquela noite, mais de 30 anos atrás — muito antes de Belo Monte, da Norte Energia ou do fim abrupto da Vila Santo Antônio —  Helio caminhou por cerca de dois quilômetros mata adentro, tendo a lua por companheira. Armou a rede para dormir e, com fome, resolveu que iria matar algum animal para comer.  Entre os arbustos, Helio viu correr um tatu de couraça branca. Sacou a espingarda e disparou. Foi seu grande erro.

O tatu escapou ileso ao tiro. Já Helio começou a se sentir mal quase imediatamente. Febre, dores de cabeça, uma zonzeira desnorteante. No dia seguinte, consultou um benzedeiro. “Mas você foi atirar justo no Curupira”, explicou o homem.

Pai do mato, Caipora, Anhangá: no último  17 de julho, foi comemorado o dia do Curupira. Ele que é conhecido por muitos nomes e que, segundo as lendas populares, se encarrega de proteger bichos e matas. “A curupira é quem cuida dos animais de pelo. Porco e paca, por exemplo”, explica Helio, a partir do minuto 3 desse episódio do Banzeiro.



A lenda é o tema dessa edição do podcast produzido pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre. O programa comenta, periodicamente, notícias e histórias relevantes para a população do Médio Xingu. Você pode escutar os episódios anteriores no site do Xingu Vivo ou pelo canal do movimento no Youtube.

As histórias contadas no episódio recuperam a riqueza da cultura popular, e o respeito que ela nos ensina ter pela natureza. Afrontá-la, mostram as histórias, tem consequências. Como diria seu Cabral, outro ribeirinho cheio de causos, “ a selva tem seus mistérios” (minuto 7:49)

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